Papa aos jovens: o amor de Deus é o caminho para vencer o vazio interior
- 28/03/2026
Inspirado em Santa Devota e São Carlo Acutis, Leão XIV convidou jovens do Principado de Mônaco a uma vida de entrega e sentido profundo
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV com jovens durante viagem apostólica ao Principado de Mônaco / Foto: Guglielmo Mangiapane – Reuters
O terceiro discurso do Papa Leão XIV no Principado de Mônaco, por ocasião da Viagem Apostólica, ocorreu durante o encontro com jovens e catecúmenos, em frente à igreja dedicada a Santa Devota. A santa, padroeira de Mônaco e jovem mártir do ano 303 d.C., inspirou as palavras do Pontífice, assim como São Carlos Acutis.
O Pontífice iniciou recordando Santa Devota: “queriam aniquilá-la, apagar toda a sua memória, mas, em vez disso, o seu sacrifício levou ainda mais longe a mensagem de amor e paz do Evangelho”. Ele destacou que isso ajuda a refletir sobre “como o bem é mais forte do que o mal, mesmo quando, por vezes, à primeira vista, o bem parece ter levado a pior”.
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Em seguida, citou outro jovem santo, São Carlos Acutis, cuja memória é honrada há alguns anos na mesma igreja, afirmando: “Outro jovem apaixonado por Jesus, fiel à amizade com Cristo até ao fim, embora em tempos e de formas completamente diferentes”.
“Caríssimos jovens, estes dois santos encorajam-nos e impulsionam-nos a imitá-los. Na realidade, também hoje, como foi referido, a fé enfrenta desafios e obstáculos, mas nada pode ofuscar a sua beleza e verdade”, ressaltou o Pontífice.
O que dá solidez à vida é o amor de Deus
Na sequência, o Santo Padre comentou os testemunhos dos jovens e suas perguntas, mencionando um deles que desejava saber como manter a “vitalidade da relação com Cristo e, nela, o sentido de unidade que se cria em nós mesmos e com os outros”.
Após recordar as palavras do cardeal Martini — “a raiz da unidade de vida está no coração […] é algo do coração, é um dom de Deus, a pedir com humildade” —, Leão XIV refletiu que, embora vivamos “num mundo que parece estar sempre com pressa, sedento por novidades, cultor de uma fluidez sem laços, marcado por uma necessidade quase compulsiva de contínuas mudanças”, o que dá solidez à vida é o amor: “em primeiro lugar, a experiência fundamental do amor de Deus e, depois, por extensão, aquela iluminadora e sagrada do amor recíproco”.
O Papa afirmou que, se por um lado amar requer abertura para crescer e, portanto, para mudar, por outro exige fidelidade, constância e disponibilidade para o sacrifício no dia a dia.
Desobstruir a porta do coração para a graça
Com o amor, continuou o Papa, a inquietação encontra paz e o vazio interior é preenchido — não com coisas materiais e passageiras, artificiais e, por vezes, até violentas.
“É preciso desobstruir a porta do coração dessas coisas, para que o ar saudável e vivificante da graça possa voltar a refrescar e revitalizar os seus espaços, e para que o vento forte do Espírito Santo possa novamente encher as velas da nossa existência, impulsionando-a para a verdadeira felicidade”, exortou.
O Santo Padre questionou: “Como conseguir tudo isso?” E respondeu: “isso requer oração, momentos de silêncio e escuta, para fazer calar a agitação do fazer e do dizer […] e para aprofundar e saborear a beleza de estarmos verdadeira e concretamente juntos”.
Testemunhas de esperança
Em seguida, o Pontífice respondeu a outra pergunta, destacando que tudo o que é válido para a vida espiritual e para a oração também se aplica à prática da caridade. Ele explicou ainda como ser “testemunhas de esperança” para aqueles que, marcados pelo sofrimento, correm o risco de perder a luz e o conforto da fé.
“As palavras e os gestos de testemunho e esperança não se improvisam nem provêm de nós mesmos: nascem de uma relação profunda com Deus, na qual encontramos, antes de tudo, as respostas fundamentais da vida. Se o canal da sua ação em nós estiver livre e se estiver aberta a troca recíproca — pela qual fazemos dessa relação de amor um dom comum e partilhado —, podemos confiar que, no momento oportuno, surgirão as palavras certas e a força necessária para agir”, disse.
Não tenhais medo
Por fim, o Santo Padre exortou os jovens a não terem medo de entregar tudo a Deus e aos irmãos: o tempo, as energias, a disponibilidade de gastar-se totalmente pelo Senhor e pelos outros. Segundo ele, somente assim é possível encontrar um gosto sempre renovado e um sentido cada vez mais profundo para a vida.
Dirigindo-se aos jovens catecúmenos, concluiu: “Vós sois o rosto jovem desta Igreja e deste Estado. Mônaco é um país pequeno, mas pode ser um grande laboratório de solidariedade, uma janela de esperança. Levai o Evangelho para as vossas escolhas profissionais, para o empenho social e político, dando voz a quem não a tem e difundindo a cultura do cuidado”.
Leão XIV confiou todos os presentes à intercessão de Maria, Santa Devota e São Carlos Acutis.
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