Em Mônaco, Papa exorta à fraternidade sem abismos entre ricos e pobres
- 28/03/2026
Em sua segunda viagem apostólica, Leão XIV encoraja o aprofundamento da Doutrina Social e a práticas que promovam fraternidade e inclusão
Da Redação, com Vatican News

Papa acena durante aparição pública em viagem apostólica ao Principado de Mônaco /Foto: REUTERS/Manon Cruz
O primeiro discurso do Papa Leão XIV em sua viagem a Mônaco – a segunda de seu pontificado e que terá duração de 13 horas – foi dirigido ao príncipe Alberto II e ao povo monegasco. O Santo Padre chegou ao país pouco depois das 9h (horário de Roma) deste sábado, 28, após deixar o Vaticano às 7h22.
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O Pontífice foi recebido pelo príncipe Alberto II, pela princesa Charlene e por autoridades civis e eclesiásticas. Após a Guarda de Honra, os 21 tiros de canhão e a apresentação das respectivas delegações, Leão XIV dirigiu-se ao Palácio do Príncipe para a cerimônia de boas-vindas. No local, antes do primeiro discurso, foram ouvidos os hinos nacionais, houve a passagem em revista da Guarda de Honra, a homenagem à bandeira dos Carabinieri do Príncipe e a apresentação das respectivas delegações.
“Estou feliz por passar este dia com vocês e por ser, assim, o primeiro dos Sucessores do Apóstolo Pedro, nos tempos modernos, a visitar o Principado de Mônaco, uma Cidade-Estado que se distingue pelo profundo vínculo que a une à Igreja de Roma e à fé católica”, disse o Papa no início da visita de cortesia ao príncipe Alberto II.
Viva herança espiritual
Na saudação, o Papa descreveu em detalhes a Cidade-Estado “voltada para o Mediterrâneo e situada entre os países fundadores da unidade europeia”, com “vocação para o encontro e o cuidado da amizade social, hoje ameaçados por um clima generalizado de fechamento e autossuficiência”.
Em um momento histórico em que a ostentação da força e a lógica da prevaricação prejudicam o mundo e comprometem a paz, o Santo Padre recordou que, na Bíblia, são os pequenos que escrevem a história e que o dom da pequenez e uma viva herança espiritual empenham a riqueza do povo de Mônaco a serviço do direito e da justiça.
Sobre suas dimensões reduzidas, Leão XIV pontuou que a Cidade-Estado é o segundo menor país do mundo, depois do Vaticano. Trata-se de um local formado por uma minoria ativa de nativos e uma maioria de cidadãos provenientes de outras nações, que “ocupam cargos de considerável influência nos setores econômico e financeiro”.
“Para alguns, morar aqui representa um privilégio e, para todos, um apelo específico a perguntar-se sobre o seu lugar no mundo. Aos olhos de Deus, nada se recebe em vão!”, aprofundou o Pontífice, encorajando a população a aproveitar as oportunidades locais não para criar abismos “entre ricos e pobres, entre privilegiados e marginalizados, entre amigos e inimigos”, mas para dar “um destino universal”, a fim de que a vida de todos seja melhor, colocando em prática a “lógica de liberdade e partilha”.
A fé católica no Principado de Mônaco
O Principado de Mônaco é um dos últimos países da Europa a manter o catolicismo como religião oficial, e o diálogo entre as instituições civis e a Igreja conserva uma importância concreta. O Papa abordou, então, o papel da Cidade-Estado e as escolhas feitas por meio de “um coração livre e uma inteligência iluminada”, que emanam do Evangelho, sobretudo em tempos de “cultura pouco religiosa e muito secularizada”:
“A fé católica, que o país de vocês é dos poucos a ter como religião de Estado, coloca-nos perante a soberania de Jesus, que interpela os cristãos a tornarem-se, no mundo, um reino de irmãos e irmãs, uma presença que não oprime, mas eleva; que não separa, mas une; pronta sempre a proteger com amor toda a vida humana, em qualquer momento e condição, para que ninguém seja jamais excluído da mesa da fraternidade. É a perspectiva da ecologia integral, que sei que é muito cara a vocês. Confio ao Principado de Mônaco, pelo vínculo tão profundo que o une à Igreja de Roma, um compromisso todo especial no aprofundamento da Doutrina Social da Igreja e na elaboração de boas práticas locais e internacionais que manifestem a sua força transformadora.”
Próximos compromissos
Após a visita de cortesia ao príncipe Alberto II, o Papa encontrou-se com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição e participou do encontro com os jovens e os catecúmenos na praça em frente à Igreja de Santa Devota. À tarde, celebrará a missa no Estádio Louis II.
Partida do Vaticano
Antes de partir para o Principado de Mônaco, Leão XIV enviou o tradicional telegrama ao presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, no qual explicou que partiu para Mônaco com o desejo “de encorajar o testemunho cristão e a construção do bem comum”. Ao chefe de Estado, dirigiu uma cordial saudação com “fervorosos votos para o progresso espiritual, civil e social da nação italiana”.
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